Depois da eleição, agora a transição
Data de Publicação: 7 de outubro de 2006
Depois da longa maratona que correspondeu a campanha eleitoral, os pefelistas José Roberto Arruda e Paulo Octávio Pereira, agora eleitos governador e vice-governador, com 663.364 votos, equivalente a 50,38% dos votos válidos, não pensam em descansar, nem comemorar (na noite do domingo, depois de conhecidos os resultados, os dois receberam apenas cumprimentos dos correligionários, mas, sem festa, solidários com a tragédia do Boeing da Gol na qual morreram 155 passageiros). Já no dia seguinte, os dois tratavam de pensar na transição somando aliados depois da divisão que uma campanha eleitoral sempre provoca.
Além de uma solução administrativa, perfeitamente normal quando um governo vai suceder a outro, a transição serviu também para demonstrar que os novos ocupantes do Palácio do Buriti estão em perfeita sintonia, fazendo cair por terra as especulações de que Paulo Octávio estaria indeciso - se aceitaria ou não assumir o cargo de vice-governador, optando em exercer por mais quatro anos o mandato de senador, já trabalhando para ser candidato a governador em 2010.
O convite de Arruda, para assumir a coordenação da transição, e sua resposta ao aceitar a missão - a primeira que lhe foi delegada -, fez com que as especulações fossem diluídas na mesma terça-feira em que foram lançadas. Caberá a Paulo Octávio, por exemplo, trabalhar com uma equipe que vai atuar com a equipe atual da governadora Maria de Lourdes Abadia. Na terça-feira mesmo, a governadora e Arruda tinham agendado um encontro para tratar de detalhes de uma metodologia de trabalho a ser aplicada.

Todo o empenho do governador eleito em começar a trabalhar na transição se explica porque ele anunciou na campanha, reiterando depois de eleito, que pretende promover uma reforma no Governo do Distrito Federal, para assegurar uma maior eficiência na máquina administrativa, enfrentando todos os problemas estruturais que existem e que dificultam a agilidade que decidiu impor, além da redução dos custos de todo o aparelho estatal.
Com uma estrutura administrativa mais eficiente, Arruda pretende, por exemplo, resolver problemas que exigem uma retaguarda administrativa. A começar pelo crescimento desordenado de Brasília, que está descaracterizado do plano original. Também o problema da segurança, insuficiência de vagas nas escolas, deficiência em setores essenciais, como saúde e educação.
O convite a Paulo Octávio para comandar a transição foi feito informalmente, surpreendendo o vice da sua chapa ao tornar público o convite para a sua primeira missão. Apesar de surpreso com o convite, o ainda senador aceitou-o na hora e, já no dia seguinte, arregaçava as mangas, cumprindo o primeiro item da sua agenda como coordenador: foi conversar com o presidente da Câmara Legislativa, Fábio Barcellos, pefelista como ele.
Com olho clínico, bastou Paulo Octávio avaliar o organograma do GDF para tomar uma direção: a estrutura está inchada, com nada menos que 35 órgãos, entre secretarias, estatais e agências. Pela sua estimativa, é perfeitamente possível reduzir para apenas 20, resultando em mais agilidade e menos recursos públicos.
No começo da semana, a equipe de transição comandada por Paulo Octávio estava integrada pelo ex-secretário de Planejamento da administração Joaquim Roriz, Ricardo Penna, o presidente de honra do PFL, Osório Adriano, José Humberto Pires, ex-administrador de Taguatinga, Domingos Lamóglia, um dos assessores mais próximos de Arruda e seu amigo pessoal, além de Wellington Moraes, ex-secretário de Comunicação Social no governo Roriz. Mas Arruda e Paulo Octávio já decidiram que a casa do Lago Sul, onde a equipe está atualmente instalada, deverá ter um reforço.

Essa decisão foi tomada na quarta-feira, depois do encontro que Arruda teve com a governadora Maria de Lourdes Abadia, na residência oficial de Águas Claras. O encontro entre os dois, o primeiro depois da campanha, foi exatamente o de duas pessoas politicamente corretas, deixando as divergências para trás, quando deve prevalecer o interesse público. Abadia manifestou o propósito em auxiliar a equipe de transição, indicando seu secretário de Governo, Benjamin Roriz, para representá-la. Amigo de Paulo Octávio e de José Roberto Arruda, o que vai facilitar muito a comunica-ção entre o governo que está chegando ao fim, com o que vai começar, Benjamin conhece profundamente os mecanismos burocráticos do Palácio do Buriti.
Abadia, não apenas prometeu, mas, na mesma quarta-feira em que se encontrou com Arruda, teve um despacho com os secretários da Fazenda, Valdivino Oliveira, e do Planejamento, José Luiz Naves, orientando-os para que transmitam todos os dados que forem necessários para a equipe de transição. E até assumiu uma condição: "Terei o papel de facilitadora. Com isso é Brasília que sai ganhando". Pediu aos dois secretários que lhe encaminhassem relatórios sobre as obras que estão em fase de conclusão, inclusive as que foram licitadas e quais as que devem ser iniciadas ainda em sua administração. Essa iniciativa tem o objetivo de se enquadrar na Lei de Responsabilidade Fiscal. "Não pretendo deixar dívidas para o futuro. Quero apenas um cronograma com todas as obras até segunda-feira para definir o que podemos executar”.
Como faltam pouco menos de 90 dias para a instalação do novo governo, Paulo Octávio agendou reuniões para o fim de semana. Arruda e ele estão otimistas com relação às negociações com os deputados distritais no orçamento para o próximo mandato. Para ajudar, a governadora manifestou disposição em modificar o projeto, e o próprio relator, Leonardo Prudente demonstrou também boa vontade: "Pretendemos transferir recursos de onde não existe urgência para aplicar em outros mais essenciais".
Com um olho na futura administração, Arruda reservou o outro para a política. Tanto que, terça-feira, fez uma visita ao ex-governador e senador eleito Joaquim Roriz em sua casa no Park Way. Além de uma visita de cortesia, foi também a manifestação de seu propósito em recompor a base aliada, depois da divisão provocada pela campanha eleitoral. Além de Roriz, pretendia ter outros entendimentos.
Roriz, inclusive, foi muito receptivo em participar desse esforço para o futuro governador assumir já com a base política consolidada.
Paulo Octávio, um empresário bem sucedido, que construiu um dos maiores grupos brasileiros, diversificado em setores como imobiliário e de telecomunicações, revelou que a meta é promover um choque de gestão, mas sem que isso implique em demissões de servidores, mas, sim, em implantar uma dinâmica que resulte em mais eficiência, reduzindo as despesas e aumentando os investimentos.
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