Conversando com o leitor
Data de Publicação: 7 de outubro de 2006
A cada eleição, é sempre assim, os políticos brasileiros defendem, ardorosamente, um controle rigoroso para o financiamento de campanha, e também dos institutos de pesquisas de aluguel, que prosperam pelo país inteiro, vendendo resultados fictícios para influenciar eleitores e garantir a vitória de quem não tem votos. Talvez, mais do que os tribunais eleitorais, seja um caso para o Procon, pela propaganda enganosa que acabam produzindo, como se voto fosse um objeto que se encontra em qualquer feira, e por qualquer preço.
Mas, passada a campanha, com os resultados já definidos, esquecem tudo, para só reclamar na próxima...
Esquecem, por exemplo, que deveriam existir mecanismos para evitar um presidente da República, um governador, ou um prefeito, fazer campanha com o dinheiro público, com flagrante propósito eleitoral.
Na quarta-feira tivemos uma evidência de que isso pode ocorrer, em níveis federal, estadual e municipal. Quando um exemplo vem de cima para baixo, acaba mesmo em farra.
O exemplo partiu daqui mesmo, de Brasília: o presidente Lula, que agora corre em contagem regressiva para conquistar um segundo mandato, sacou a caneta, que está cheia de tinta, para liberar R$ 1,5 bilhão do Orçamento, quase, quase o mesmo valor (R$ 1,6 bilhão) que fora bloqueado 11 dias antes.
É lógico que os arautos do Palácio do Planalto vão jurar, de pés juntos e tudo, que não existe qualquer influência eleitoral na liberação de uma dinheirama como essa a poucos dias de o presidente voltar a enfrentar as urnas, depois de ter uma reeleição praticamente garantida.
São capazes de subestimar a inteligência nacional com a explicação de que não foram liberados antes simplesmente porque os estudos técnicos não estavam concluídos.
Uma ingenuidade absoluta, dessas que levam as pessoas a acreditarem que duendes existem. Realmente, levaria alguém a interpretar como sincera e honesta a explicação do ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, que o governo federal "não tinha como deixar de atender" a necessidade desses investimentos?
Já que o país sobreviveu diante da "necessidade desses investimentos", por que não esperar mais três semanas, até o fim das eleições, demonstrando a mais completa isenção do dinheiro público liberado?
Como diriam os mineiros, principalmente os políticos, tem caroço nesse angu.
Afinal de contas, e não deve ser por mera coincidência, um dos estados mais beneficiados por esses recursos é justo Minas Gerais. E foi lá que o presidente Lula derrotou Geraldo Alckmin por uma diferença aquém da esperada.
É duro constatar, mas, realmente, não vivemos em um país sério.
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